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HISTÓRIA

O Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista foi fundado no dia 23 de julho de 1933, pelo metalúrgico Aristides Farinazzo, num período de grande expansão industrial em São Paulo. A atividade portuária, em Santos, continuava fundamental para as atividades econômicas da região. Nessa época, quase tudo se vinculava ao porto: indústria de beneficiamento de cereais, oficinas de reparos de navios e algumas empresas cuja produção era escoada pelo porto santista. A categoria metalúrgica ainda não era expressiva em termos numéricos. Ela constituía-se de pequenas oficinas de consertos de elevadores, de veículos e de algumas pequenas fundições.

PERíODOS HISTÓRICOS

Em 1935, é criada a Aliança Nacional Libertadora, ANL, movimento político de cunho anti-imperialista e de defesa das liberdades públicas, com forte presença dos comunistas. A ANL cresce rapidamente em todo o Brasil e nos mais diversos setores, como os sindicatos. Com o lema
“Pão, Terra e Liberdade”, a ANL reúne diversos trabalhadores e setores das camadas médias da sociedade.
Com a mobilização da Aliança Nacional Libertadora, ANL, o movimento sindical também cresce e se fortalece. Em Santos, em abril de 1935, é criada a Federação Sindical Proletária de Santos.
Ao mesmo tempo, cresce a repressão aos sindicatos e aos trabalhadores. Sindicatos são fechados, outros sofrem intervenção, com invasão das sedes pela polícia. Vários sindicalistas são presos.

MOBILIZAÇÃO DA ESQUERDA

O período pós-II Guerra Mundial, de 1945 até meados de 1947, será marcado pela mobilização das forças democráticas, os liberais e a esquerda, na luta contra os resquícios do fascismo ainda presentes em vários países. O clima de euforia democrática é geral. A luta contra a ditadura do Estado Novo se dará pela união das forças democráticas. Os operários se reorganizam em seus sindicatos e criam entidades intersindicais, como a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil, CGTB. São realizadas várias greves, manifestações e movimentos reivindicatórios. Aumenta o número de trabalhadores sindicalizados. É grande o movimento sindical e democrático. Com a ascensão do governo Dutra volta a repressão: a CGTB é fechada, o movimento operário é reprimido. Vários líderes sindicais e populares são presos e outros assassinados.

SINDICATO SOFRE INTERVENÇÃO

Em agosto de 1947, o Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista sofre intervenção da Federação dos Metalúrgicos. Assume uma Junta Governativa, que é presidida por Domingos Alvarez. A Junta regulariza a contabilidade e restabelece o atendimento médico da entidade. Nesta época, a categoria metalúrgica de Santos não deve ultrapassar o número de 600 operários.
Apesar de vigiado por cima, pode-se dizer que o Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista começa então a ter um lugar no sindicalismo da Baixada Santista. Na década de 50, marca maior presença no cenário das lutas sociais e políticas da região e do País.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista começa a ter lugar de destaque no movimento operário da região a partir da greve de 1954 contra a carestia, participando dos grandes movimentos grevistas e a diretoria influenciando nas articulações sindicais. Nesse período crescem as greves em Santos e no Brasil.

CRIAÇÃO DA COSIPA

Com o início das obras da Cosipa, no final da década de 50, começam também as lutas de maior repercussão dos metalúrgicos de Santos. Pouco a pouco milhares de trabalhadores já estão nas obras da usina, mudando as perspectivas do Sindicato. Em 1958, o Sindicato adquire sede própria à rua da Constituição, 222. Nessa época, o Sindicato desenvolve campanha para que os operários das obras da Cosipa sejam aproveitados como siderúrgicos através de cursos ministrados pela empresa.
Essa reivindicação será vitoriosa. Durante os primeiros quatro anos da década de 60, o movimento sindical tem uma forte atuação e influência no cenário sócio-político do País.
As lutas dos trabalhadores tornam-se mais organizadas. As greves contam com uma maior preparação das categorias envolvidas, muitas vezes com a formação de comissões nas fábricas e realizações de assembléias massivas.
Também é durante esse período, nos quatro primeiros anos de 60, que o Sindicato dos Metalúrgicos desenvolverá lutas importantes e alcançará os seus maiores êxitos e vitórias desde a criação do Sindicato.

PRIMEIRA GREVE

O Sindicato também sofre com o golpe militar de 1964. Lideranças e trabalhadores de base são presos, outros companheiros da Cosipa são obrigados a fugir. Dois grandes nomes dessa época são de Vitelbino Ferreira de Souza, na época o presidente do Sindicato, e Vítor Gallatti, um dos líderes da primeira greve na Cosipa, em 1962, pelo pagamento do 13º salário para todos os trabalhadores (diaristas e mensalistas). Os dois tiveram de entrar na clandestinidade durante muitos anos.

ATITUDES FIRMES

O Sindicato esteve ao lado do povo brasileiro durante todo o período da ditadura militar. Participou dos movimentos em defesa da democracia, contra a repressão militar, contra a carestia e pela anistia geral e irrestrita.
A atitude do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista sempre se pautou pela luta por melhores dias para os trabalhadores e contra a exploração do homem pelo homem.
Durante a implantação da política neoliberal no Brasil, denunciamos a farsa das privatizações, que trouxeram demissões em massa e perda de direitos em todas as empresas que foram vendidas.
Hoje, na era da “globalização”, apostamos também na globalização das lutas operárias. Cada vez mais se torna imprescindível que os trabalhadores e trabalhadoras estejam unificados para que seus direitos não sejam reduzidos, para que importantes conquistas não sejam confiscadas, para que tenhamos emprego digno, salário digno e vida digna para todos e todas.
(Texto elaborado a partir do livro “Operários em Luta”, de Braz José de Araújo)

A FORÇA DE TRABALHO METALÚRGICA NA REGIÃO

Atualmente, o Sindicato representa cerca de 16.000 trabalhadores metalúrgicos, sendo a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), a empresa com maior número da categoria (mais de 5.500). Além disso, mais 7.000 metalúrgicos prestam serviços em diversas empresas da área. Os demais trabalhadores estão distribuídos nas centenas de empresas situadas no litoral paulista.